Portal é gratuito e já tem quase 5 mil teses e dissertações de história
Portal é gratuito e já tem quase 5 mil teses e dissertações de história. Imagem:

Conheça o projeto que já mapeou quase 5 mil teses e dissertações de História desde 1942

Desenvolvido pelo Instituto de História da UFRJ, o banco de dados permite consultas por autor, programa, ano e grau acadêmico, facilitando o acesso à produção historiográfica brasileira.
5 de março de 2025

A pesquisa histórica no Brasil ganhou um valioso recurso com a criação do Catálogo Histórico de Teses e Dissertações da Área de História. Já disponível para consultas (confira aqui), o banco de dados foi desenvolvido para reunir, organizar e disponibilizar informações sobre os trabalhos defendidos nos programas de pós-graduação em História entre 1942 e 2000.

O Catálogo foi desenvolvido pelo historiador João Ohara, hoje professor de Teoria de História no Departamento de História da Universidade de São Paulo. Tudo começou quando ele realizava seu estágio pós-doutoral na Unesp, primeiro em Assis, com PNPD-CAPES, e depois em Franca, com bolsa FAPESP. Ohara prosseguiu trabalhando no projeto quando se tornou professor do Instituto de História da UFRJ, mesmo já tendo finalizado a bolsa, e continua abastecendo o portal com novos metadados, na USP.

“A ideia do projeto nasceu de um incômodo que foi crescendo durante o meu doutorado, a respeito da precariedade da indexação de material de algumas décadas atrás. Os catálogos impressos não estão incorporados em todas as bibliotecas por aí, e, mesmo quando estão, são pouco consultados. Além disso, em função da maneira pela qual esses dados foram compilados em iniciativas anteriores, existiam algumas imprecisões de registros, como grafias de nomes e títulos”, disse Ohara ao Café História.

Escritório em ilustração estilo anime representando pesquisa em teses e dissertações de história.
Tela do projeto. Foto: reprodução.

O portal de teses e dissertações da CAPES era, até então, o principal banco de dados para quem pesquisa teses e dissertações no país, mas ele começa em 1987. Atualmente, o Catálogo de Ohara conta com 4609 teses e dissertações. O projeto continua sendo abastecido. No momento em que esta matéria foi escrita, havia teses e dissertações até os anos 2000.

Um repositório abrangente e acessível

Os dados do catálogo são organizados para permitir diferentes formas de consulta. Os usuários podem navegar pelos trabalhos a partir de critérios como nomes dos autores, programas de pós-graduação, anos de defesa, tags temáticas e grau do trabalho (mestrado ou doutorado). Essa abordagem facilita a localização de pesquisas específicas e a identificação de padrões temáticos ao longo das décadas.

O objetivo central do projeto é fornecer um material de referência útil para pesquisadores, especialmente aqueles que estudam a historiografia brasileira recente. Embora o foco esteja nas teses e dissertações de História, o catálogo exclui teses de cátedra, livre-docência e titularidade.

A construção do Catálogo

O banco de dados se baseia na integração de várias fontes anteriores, como os catálogos de Carlos Humberto Corrêa (1987), Maria Helena Rolim Capelato (1995) e Carlos Fico e Ronald Polito (1992), além dos dados da CAPES (a partir de 1987) e catálogos impressos de instituições como UFF, UFRJ e Unesp-Assis. Também foram incluídos registros disponíveis nos sites dos programas de pós-graduação.

Conheça o projeto que já mapeou quase 5 mil teses e dissertações de História desde 1942 1

O historiador Bruno Leal (UnB) entrega algo inovador: um livro que é, ao mesmo tempo, um guia para a seleção do mestrado em História e uma introdução ao universo do mestrando e da mestranda. Com linguagem simples, Leal explica tudo o que você sempre quis saber sobre o mestrado em História, mas teve medo de perguntar. Leia no computador, no tablet, no Kindle ou celular. Confira aqui.

Um desafio enfrentado pelos organizadores foi a existência de divergências entre fontes, como variações na grafia de nomes e títulos, além da ausência de certos trabalhos em catálogos anteriores. Para resolver esses problemas, foram utilizadas fontes auxiliares, incluindo currículos de pesquisadores e registros institucionais. Nos programas que já digitalizaram seus acervos, os dados foram verificados diretamente com as versões eletrônicas. Em outros casos, visitas in loco foram realizadas para conferência.

Expansão futura

O catálogo continua em expansão. As teses defendidas antes de 1973 e fora da USP estão sendo gradualmente adicionadas conforme a verificação dos registros. Atualmente, já constam no banco de dados alguns trabalhos das Faculdades de Filosofia, Ciências e Letras do interior de São Paulo (futuras unidades da Unesp), da PUC-SP e da UnB, embora esses registros ainda não estejam completos.

“A USP tem um programa de incentivo a novos docentes com um valor bom para despesas de pesquisa, coisa que eu não tinha antes. Devo enviar o projeto à Fapesp também, na esperança de captar mais recursos. O objetivo é que, ao final da verificação nas bibliotecas e arquivos, eu tenha uma boa base de dados que possa ser arquivada por conta própria em um repositório institucional, melhorando a conservação dos resultados”, disse Ohara.


Café História

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