Este historiador está mapeando projetos de História Pública pelo mundo – e você pode contribuir

O projeto desenvolvido por Thomas Cauvin tem como base a tecnologia do Google Maps, o que facilita a navegação por parte do usuário, já acostumado com essa interface.
4 de abril de 2025
Thomas Cauvin em conferência.
Thomas Cauvin é professor na Universidade de Luxemburgo. Foto: reprodução do YouTube.

O historiador francês Thomas Cauvin, professor da Universidade de Luxemburgo, está construindo um mapa digital que localiza projetos de História Pública do mundo todo, inclusive no Brasil. O projeto é colaborativo: qualquer pessoa consegue cadastrar o seu próprio projeto. Clique aqui para ver o mapa e saber quais projetos já estão visíveis nele.

“A história pública está se tornando cada vez mais internacional. Profissionais, praticantes e acadêmicos usam o termo “história pública” em diversas partes do mundo. Isso ajuda a conectar projetos, ideias e pessoas, tornando a história mais aberta, acessível, envolvente e participativa, mas também mais útil no presente”, disse Cauvin ao Café História.

O projeto desenvolvido por Cauvin tem como base a tecnologia do Google Maps, o que facilita a navegação por parte do usuário, já acostumado com essa interface. Até o momento, dois projetos brasileiros estão cadastrados. Um deles é o Café História e o outro é o História FM, podcast do historiador Icles Rodrigues. Para quem deseja incluir o seu projeto no mapa, basta escrever para [email protected], inserindo: nome do projeto; breve descrição (algumas linhas); pelo menos 2 palavras-chave sobre a prática (por exemplo, História Oral, Migração); link para um site e contato. De preferência, escrever o e-mail em inglês.

Mapa Digtial de História Pública

Este é o segundo mapa digital colaborativo desenvolvido por Cauvin. O primeiro é o de Lista de Centros, Programas e Projetos de História Pública Universitários. O Brasil aparece com o Mestrado em História Pública, da Universidade Estadual do Paraná, o Bacharelado da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e outros laboratórios no Rio de Janeiro, São Paulo e Florianópolis.

Mas o que é História Pública?

Faz muito tempo que historiadores e historiadoras atuam fora da universidade. Estão em empresas, projetos sociais, órgãos governamentais, meios de comunicação e em vários outros lugares aplicando seus saberes e, em alguns casos, fazendo isso em parceria com outros sujeitos. Em meados dos anos 1970, nos Estados Unidos, essas práticas começaram a ser chamadas de História Pública (Public History) e a serem estudadas, aprimoradas e institucionalizadas, principalmente nas universidades.

Nas últimas décadas, a História Pública passou por várias transformações. Ela continua se referindo à atuação do historiador e do método histórico fora da universidade, para resolver problemas e otimizar processos, mas ela também tem a ver, hoje, com práticas museológicas, história oral, estudos de memória social, divulgação científica, comunidades escolares e intervenções urbanas. E hoje, a História Pública é prática que historiadores e historiadoras realizam com, pelo e para o público.

O campo da História Pública se desenvolveu no Brasil a partir de 2011, mas, apesar do pouco tempo, a área tem produzido muitos estudos originais e projetos com projeção internacional.

“Embora saibamos que a história pública esteja se tornando cada vez mais internacional, precisamos vê-la, visualizar a rica e ampla rede de oportunidades de colaboração para podermos aprender uns com os outros. O Brasil tem estado na vanguarda da história pública há anos, e é essencial que pessoas de outras partes do mundo conheçam esses projetos e se inspirem neles”, ressalta Cauvin.


Bruno Leal

Fundador e editor do Café História. É professor adjunto de História Contemporânea do Departamento de História da Universidade de Brasília (UnB). Doutor em História Social. Pesquisa História Pública, História Digital e Divulgação Científica. Também desenvolve pesquisas sobre crimes nazistas, justiça no pós-guerra e as duas guerras mundiais. Autor de "Quero fazer mestrado em história" (2022) e "O homem dos pedalinhos"(2021).

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