Historiador especialista em ditadura militar comenta “Ainda estou aqui”

Marcos Napolitano, professor do Departamento de História da Universidade de São Paulo (USP), falou com o Canal História USP sobre o filme do momento: "Ainda estou aqui".
4 de março de 2025
Marco Napolitano, de camisa vermelha, no estúdio, comenta Ainda estou aqui.
Marcos Napolitano é especialista em ditadura militar. Foto: História USP.

O historiador Marcos Napolitano, professor do Departamento de História da Universidade de São Paulo (USP), falou com o Canal História USP. Na entrevista (vídeo abaixo), Napolitano fala sobre a memória da ditadura militar no Brasil e comenta o filme “Ainda estou aqui”, de Walter Salles, indicado a três prêmios Osca e vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional 2025, o primeiro do Brasil na história.

Marcos Napolitano é professor titular de História do Brasil na Universidade de São Paulo (USP). Formado em História, com mestrado e doutorado em História Social pela USP, ele também é bolsista do CNPq e especialista em temas relacionados ao Brasil Republicano, especialmente ao período da ditadura militar. É autor de obras de referência como 1964: História do Regime Militar Brasileiro e Seguindo a Canção: Engajamento Político e Indústria Cultural na MPB (1959-1969).

O Canal História USP é o canal oficial do Departamento de História da USP, e publica regularmente vídeos com entrevistas e material de arquivo. O canal tem coordenação do historiador Daniel Carvalho e as entrevistas são conduzidas pelos próprios alunos do curso de graduação em História.

Ainda estou aqui

Em 1971, no auge da repressão da da Ditadura Militar no Brasil, a família Paiva vê sua vida ser despedaçada quando Rubens Paiva, um ex-deputado que se rebelava contra o regime, é abruptamente sequestrado e desaparece. Sua esposa, Eunice, interpretada por Fernanda Torres (na fase adulta) e Fernanda Montenegro (na fase idosa), é lançada em uma jornada dolorosa em busca de respostas, enquanto luta para manter unida a família e proteger seus cinco filhos.

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Se liga nessa história: logo depois da Segunda Guerra Mundial, Herberts Cukurs imigrou para o Brasil vindo da Letônia. Ele criou os pedalinhos da Lagoa Rodrigo de Freitas e refez a vida. Mas, em 1950, ele foi denunciado como criminoso de guerra nazista. Essa incrível história real é examinada pelo historiador Bruno Leal no livro “O homem dos Pedalinhos” (FGV Editora), que em breve vai virar filme. Confira aqui o livro, em formato físico e digital.

Baseado na autobiografia de Marcelo Rubens Paiva, o filme é um retrato sensível e comovente da resistência de uma mulher que se recusa a deixar que o terror e o silêncio apaguem a verdade sobre os horrores do passado.

O filme de Salles foi indicado a três Oscars (Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Atriz) e venceu um (Melhor Filme Internacional). Você pode conferir a nossa resenha do filme clicando aqui. Você também pode ler uma entrevista que fizemos há alguns anos com Napolitano aqui.


Bruno Leal

Fundador e editor do Café História. É professor adjunto de História Contemporânea do Departamento de História da Universidade de Brasília (UnB). Doutor em História Social. Pesquisa História Pública, História Digital e Divulgação Científica. Também desenvolve pesquisas sobre crimes nazistas, justiça no pós-guerra e as duas guerras mundiais. Autor de "Quero fazer mestrado em história" (2022) e "O homem dos pedalinhos"(2021).

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